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domingo, 19 de outubro de 2014

ALEXANDRE PADILHA


Alexandre Rocha Santos Padilha (São Paulo, 14 de setembro de 1971) é um médico e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi ministro das Relações Institucionais no Governo Lula e ministro da Saúde no Governo Dilma Rousseff1 . Foi candidato a governador do estado de São Paulo, tendo sido derrotado e chegando em terceiro lugar2 .
Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi coordenador geral da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina em 1990, coordenador do Diretório Central de Estudantes da Unicamp e membro do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo entre 1991 e 1993.
Foi membro da coordenação nacional das campanhas à presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989 e em 1994. Entre 2000 e 2004, foi coordenador de Projetos de Pesquisa, Vigilância e Assistência em Doenças Tropicais, no Pará, o programa da Organização Mundial de Saúde (OMS).3 Por este motivo, teve Santarém como seu domicílio eleitoral até junho de 2013.3
Em 2004, durante o primeiro mandato do Governo Lula, assumiu o cargo de diretor de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).3 No ano seguinte, foi conduzido para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, onde permaneceu até 2010, primeiro como assessor e depois como ministro.3 Assumiu a pasta no fim de setembro de 2009, após José Múcio Monteiro ser indicado pelo então presidente Lula à vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU).

Origem

Alexandre Padilha é filho único do casal Anivaldo Pereira Padilha e Macilea Rocha Santos Chaves4 . Nasceu no ano que em seus pais, militantes de movimentos de igrejas contra a ditadura no Brasil, foram forçados a se separar 5 . Anivaldo Padilha foi preso durante onze meses. Quando ele saiu do Presídio Tiradentes, Macilea engravidou 6 . A perseguição do regime militar continuou e o pai de Alexandre Padilha exilou-se no Uruguai, Chile, Argentina, Estados Unidos e Suíça, sem poder assistir ao nascimento do filho 7 . A mãe de Padilha optou por permanecer no Brasil. Trancou o quinto ano de Medicina e ficou na clandestinidade por mais de dois anos 8 . Por isso, nos primeiros anos de vida, Alexandre Padilha mora em diferentes bairros de São Paulo, depois em Belo Horizonte e em Maceió 9 . Com a distensão da ditadura, mãe e filho se estabelecem no Butantã, bairro paulistano de classe média onde o menino brincava no ambiente do Instituto Butantã e da Cidade Universitária da USP 10 . Padilha aprende a ler e escrever aos quatro anos de idade, ajudado pela avó, Anita Padilha, que o incentiva a corresponder-se com o pai exilado e com seus irmãos nascidos do segundo casamento de Anivaldo com a americana, Colleen Reeks 11 . Somente aos oito anos de idade, depois da Lei da Anistia, Alexandre Padilha pôde abraçar o pai pela primeira vez 12 .

Infância

Alexandre Padilha fez a pré-escola em Maceió e em São Paulo, na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Monte Castelo13 . Cursou o primeiro grau na escola Joana d'Arc, no Butantã 14 , e o segundo grau na escola experimental Pueri Domus, na Granja Julieta 15 . Durante a infância, costumava acompanhar a mãe já formada médica e conhecida como Doutora Leia 16 no trabalho voluntário de fim de semana que ela prestava no posto de saúde da paróquia do Parque Regina, no Campo Limpo, bairro pobre de São Paulo 17 . Aos 15 anos, Padilha sai do Butantã para morar em uma casa no Campo Limpo, construída pela Dra. Leia junto com seu segundo marido, Felisbino Chaves, que havia sido padre na paróquia local 18 .

Formação acadêmica e militância estudantil

Aos 17 anos, Padilha ingressa na Faculdade de Medicina da Unicamp e vai morar em república de estudantes em Campinas 19 . Participa da política estudantil desde o início do curso . No segundo ano, já se torna o presidente da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) 20 e em seguida do DCE da Unicamp 21 . Por três anos, cursou poucas matérias para dedicar mais tempo à militância estudantil e à construção da Juventude do PT 22 . O líder estudantil ajuda a criar a Comissão Interinstitucional de Avaliação de Ensino Médico, cujo propósito principal era o de aproximar o estudante da saúde pública 23 . O movimento resultou em uma profunda reestruturação do ensino médico brasileiro, que antecipou o contato dos estudantes com o SUS. As aulas, antes restritas ao quinto e ao sexto ano, passaram a acontecer já no primeiro semestre do curso 24 . Nos anos de militante estudantil, Padilha também participou das discussões que geraram grandes mudanças na saúde pública: a humanização do tratamento manicomial, a integração da universidade com indústria e a inovação tecnológica, a criação de cursos de extensão para levar o serviço médico universitário a comunidades carentes 25 .

Militância partidária

Alexandre Padilha divide-se, no início dos anos 1990, entre a militância estudantil e a partidária. Filiado ao PT desde os 17 anos 26 na zonal do Campo Limpo 27 , participa das campanhas presidenciais de Lula em 1989 e 1994. E mais tarde, da campanha de Dilma 28 .
Em 1992, ajuda a fundar e assume a direção da primeira Secretaria da Juventude do PT no Estado de São Paulo 29 . Nesta função, discute políticas para a juventude junto a sindicatos e às primeiras prefeituras eleitas pelo PT, acompanhando gestões e demandas municipais 30 .

Formaturas

Retoma o curso na Unicamp em 1995, diplomando-se em Medicina dois anos depois. Na sequência,ingressa na pós-graduação da USP 31 . Faz Especialização em Infectologia atraído pela intensa discussão médica e ética provocada pela epidemia da AIDS. Cumpre os dois anos obrigatórios da Especialização, estendendo os estudos ao terceiro ano opcional 32 .

Vida pessoal

Alexandre Padilha é casado com a jornalista brasiliense Thássia Alves desde 2012. Ainda não oficializaram a união no papel 33 . Conheceram-se no Ministério da Saúde, onde Thássia trabalhava como assessora de imprensa. Quando começou o namoro, ela pediu demissão. Foi para a assessoria de imprensa da UnB e depois do Ministério do Desenvolvimento Social 34 .

Carreira

Durante a especialização, Alexandre Padilha é convidado pela Universidade de São Paulo (USP) para participar, em Santarém no Pará, da montagem do Núcleo de Extensão em Medicina Tropical do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias, da Faculdade de Medicina da USP 35 . No ano seguinte, assume o comando do Núcleo, que já desenvolve protocolos de pesquisa em parceria com a Organização Mundial da Saúde. O Núcleo de Extensão funciona recebendo estudantes e médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em pequenas comunidades ribeirinhas, assentamentos rurais e tribos indígenas combatendo a malária e outras epidemias como tuberculose, doença de chagas, aids, infecção hospitalar 36 . Alexandre Padilha se reveza entre o Pará e São Paulo, trabalhando e estudando 37 . Na capital paulista, assume a supervisão técnica do ambulatório de Doenças dos Viajantes do HC 38 . No interior do Pará convive e cuida de comunidades da Amazônia, entre elas a tribo Zo’é, que estava quase dizimada pela malária e pneumonia 39 . Em 2000, conclui o curso de Especialização em Infectologia 40 recebendo o registro CRM-SP 91136 41 . Logo concorre e é aprovado no concurso para o HC. Alexandre Padilha, porém, opta por continuar no núcleo da USP na região amazônica42 dedicando-se, em parceria com a OMS, à pesquisa para desenvolver o Coartem 43 , medicamento que atualmente é o mais eficaz na cura da malária grave, e que seria o trabalho de campo para o seu futuro doutorado44 .
O empenho de Padilha para o enfrentamento da malária, chama atenção do Ministério da Saúde. Por indicação do secretário-executivo do MS, Gastão Campos – que foi seu professor na Unicamp – o presidente Lula, recém-eleito em 2003, convida Alexandre Padilha para a direção de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), mudando assim seus planos de fazer o doutorado 45 . Ao assumir a Funasa, Alexandre Padilha realiza, em parceria com a Controladoria Geral da União e a Polícia Federal, auditorias para apurar denúncias de irregularidades administrativas. Ele também muda o modelo de gestão para aumentar a supervisão sobre os gastos do órgão 46 . Nos dois anos em que comandou a Funasa, também implantou a política de intercâmbio com universidades brasileiras para levar equipes multidisciplinares e tecnologia às tribos indígenas. Prossegue o trabalho para salvar a comunidade Zo’é da extinção, instalando inclusive uma unidade cirúrgica e ambulatorial dentro da aldeia. Hoje os Zo’é estão livres da malária e da tuberculose e não apresentam casos de diabetes, hipertensão, anemia ou doenças sexualmente transmissíveis 47 .

Secretaria de Relações Institucionais

Em agosto de 2005, Alexandre Padilha é chamado para integrar o Secretaria de Relações Institucionais. Entra como chefe de gabinete da Secretaria de Assuntos Federativos. No ano seguinte, torna-se subchefe de Assuntos Federativos, ficando responsável pelo mapeamento das demandas estaduais e municipais levadas ao Governo Federal por governadores, prefeitos, deputados e vereadores 48 . No segundo mandato do presidente Lula, em 2009, com apenas 38 anos, é nomeado ministro das Relações Institucionais, tornando-se assim o coordenador político da Presidência da República 49 . É quando Alexandre Padilha ajuda a imprimir a marca municipalista do Governo Lula50 . O jovem ministro participa da montagem dos programas relacionados às demandas regionais, que acabam compondo algumas das marcas mais importantes da gestão: PAC 51 , Minha Casa Minha Vida, Bolsa-Família e o marco regulatório do Pré-sal 52 . Durante a sua passagem pela pasta de Assuntos Institucionais também atua, junto à sociedade organizada e ao Congresso Nacional, na elaboração e aprovação de leis como o Fundeb 53 , Estatuto da Igualdade Racial, Lei de Consórcios Públicos54 , Lei das PPPs, a Lei Nacional de Saneamento 55 e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – a primeira lei de iniciativa popular 56 .

Ministério da Saúde


Eleita presidente em 2010, Dilma Rousseff escolhe Alexandre Padilha para ser seu Ministro da Saúde. Ele fica ministro por três anos57 entre janeiro de 2011 e janeiro de 201458 . Começa a gestão realizando uma pesquisa interna para levantar os principais problemas da Saúde no Brasil59 . O principal resultado da pesquisa revelou o que Padilha já testemunhava na sua prática de estudante e de médico: para acelerar o acesso à saúde nas pequenas cidades e periferias dos grandes centros, a rede pública precisava contratar mais médicos.
O Ipea confirmou em 2013 por pesquisa de que o maior problema do SUS, segundo os próprios usuários, era a falta de médicos. Padilha reforça diagnósticos da falta de médicos no Brasil e sua proporção por pacientes no mundo para comprovar a falta de recurso humano no SUS. Por isso, o ministro criou vários programas para aumentar o número de médicos nas regiões carentes60 : Lançou o Programa de Valorização do profissional da Atenção Básica (Provab) em que médicos recém formados receberiam uma bolsa no valor de 10 mil reais e bônus de 10% de pontuação em provas de residência para trabalhar em unidades de saúde de municípios de interior e periferias.
Em 2013, o então ministro Alexandre Padilha anunciou mais 3.613 novas bolsas de residência médica para 2014, o programa "Mais Residência Médica", o que ajuda a aumentar o número de atendimentos em áreas prioritárias da saúde pública61 . Outra iniciativa para elevar a quantidade de médicos no interior, foi o estímulo à abertura de novas faculdades de Medicina em municípios com até 70 mil habitantes e nenhum curso em seu território. A intenção é abrir 11,4 mil novas vagas de graduação até 2018, o que vai quase dobrar a oferta atual, que é de 18 mil vagas de Medicina em todo o país62 . O MEC divulgou no final de 2013 a lista de 49 cidades que receberam autorização para instalar cursos de medicina63 .
Em maio de 2013, iniciaram-se investigações64 mediadas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por suspeitas de irregularidades na Funasa em 2004, quando Padilha era diretor de Saúde Indígena do órgão. Teriam sido constatadas irregularidades na celebração e na execução dos convênios firmados entre a Funasa e a FUB (Fundação Universidade de Brasília). Segundo nota do Ministério da Saúde, as irregularidades teriam ocorrido antes de Padilha assumir o cargo de diretor de Saúde Indígena em 15 de junho de 2004.65
Em janeiro de 2014, mais de 3,3 mil médicos já atendiam comunidades carentes pelo Provab 66 .Ainda em 2011, também lançou em parceria com o Ministério da Educação, o programa Fundo de Financiamento Estudantil da Saúde, o FIES Saúde. Por este programa, o médico formados por meio do financiamento estudantil (FIES) pode descontar a dívida pelo tempo em que trabalha para o SUS em áreas carentes67 .

Anunciado como um programa para agilizar a oferta de profissionais na rede pública, o Mais Médicos foi lançado por Padilha em julho de 2013 e 68 aprovado pelo Congresso em outubro69 . No mesmo mês, a presidente Dilma sanciona a medida provisória do programa "Mais Médicos" convertendo em lei, após sua aprovação na Câmara do Deputados e no Senado Federal. Na ocasião, Dilma pediu desculpas ao médico cubano Juan Delgado que, ao chegar com grupo de outros médicos cubanos no Estado do Ceará, foram chamados de escravos, devido ao programa fazer um acordo, considerado pelas entidades médicas de viés notoriamente ideológico e lesivo às relações de trabalho, pelo qual os profissionais passariam a atuar no Brasil com o mesmo valor liberado para os demais, de 10 mil reais mensais, porém com mais de 70% do valor sendo revertido para o governo cubano. O pedido de desculpas de Dilma se baseou na tese de que o protesto foi motivado por racismo e xenofobia, embora as entidades médicas não tenham se colocado contrárias à importação de profissionais atendendo a critérios técnicos com a devida revalidação de diplomas.
Nos seis primeiros meses, o Mais Médicos ultrapassou a meta de levar 13 mil profissionais às regiões carentes. Em março de 2014 já eram 13.821 médicos atuando pelo programa70 . São Paulo, o Estado mais rico do país, foi também o que mais solicitou médicos do programa, 2.187 profissionais 71 . O Mais Médicos oferece 10 mil reais mensais para médicos trabalhar na rede pública. Profissionais estrangeiros são chamados para ocupar as vagas não preenchidas por brasileiros 72 .
No entanto, entidades médicas, profissionais e especialistas da área se opuseram, alegando a necessidade de revalidar o diploma dos contratados pelo programa73 . Padilha argumentou que os integrantes do Mais Médicos só estariam autorizados a trabalhar em local determinado, após passar por treinamento e serem supervisionados ao longo do programa. Por isso, não fariam a revalidação do diploma, que os permitiria atuar em todo o país74 . Internacionalmente, é uma norma respeitada na maioria dos países que os diplomas médicos sejam revalidados por meio de provas teóricas e práticas, que atestam a capacidade do profissional de oferecer serviços médicos à população de um país diferente daquele em que foi expedido o diploma, o que é válido inclusive em países que fazem sistemativamente importação de profissionais de nível superior, como Canadá e Austrália.
Em junho de 2013, após longo embate com as entidades médicas sobre o tema de importar médicos sem revalidação de diplomas para, em tese, atender regiões mais carentes, a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) declaram Alexandre Padilha "persona non grata"75 por não respeitar na forma de elaboração do programa a necessidade de revalidação de diplomas médicos para trabalho no Brasil. Em julho do mesmo ano, o Conselho Regional de Medicina do Pará abriu processo ético-disciplinar 76 contra Padilha por anunciar-se como infectologista de maneira ilegal. Em resposta, Padilha publicou uma foto de seu diploma de especialista em infectologia numa rede social.77 A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) publicou nota confirmando que Padilha concluiu o programa de residência médica da instituição.
O Datafolha informou em março de 2014 que 14 milhões já foram atendidos por médicos estrangeiros do programa. As afirmações das entidades médicas a respeito de propósitos voltados a eleições e de cunho ideológico do Partido dos Trabalhadores têm continuado a existir, inclusive por existirem grande quantidade de médicos trazidos pelo programa em áreas saturadas de profissionais médicos.

Farmácia Popular

Nos três anos em que foi ministro da Saúde, Alexandre Padilha aumentou de 1,3 milhão 78 para 19,4 milhões – quinze vezes mais - o número de usuários da Farmácia Popular. Também ampliou de 15 mil para 30,1 mil o número de unidades da rede. As Farmácias Populares funcionam em sedes próprias (546) e em parceria com farmácias privadas (29.559), onde for encontrado o anúncio: "Aqui tem Farmácia Popular" 79 . Padilha ampliou o programa ao construir, no primeiro mês da sua gestão, acordos com a indústria de medicamentos e as farmácias. Por estes acordos conseguiu que, além da venda a preço de custo de mais de 100 medicamentos, a Farmácia Popular também teria remédio de graça para pessoas com diabetes, hipertensão e asma. Estas doenças atingiam 80% dos usuários da Farmácia Popular em 2011, quando ele assumiu o ministério 80 . O remédio de graça provocou a partir de 2012 a redução inédita de internações por asma, hipertensão e diabetes – estas duas últimas relacionadas às principais causas de mortes cardiovasculares 81 . O aumento das unidades da Farmácia Popular, que já funciona em 74% dos municípios brasileiros – em 4.119 dos 5.563 municípios – 82 é fator de conforto para o usuário e de redução das filas nos postos de saúde. Onde não tem Farmácia Popular, o paciente só tem duas opções: comprar pelo preço normal de mercado ou fazer um consulta no posto de saúde para poder pegar o remédio, onde nem sempre é encontrado 83 .

Parcerias de Desenvolvimento Produtivo

A gestão de Alexandre Padilha no Ministério da Saúde alterou o formato das parcerias público-privadas para estimular a fabricação, no Brasil, de medicamentos e equipamentos hospitalares 84 . Chamada Parceria de Desenvolvimento Produtivos (PDP), a regra criada por Padilha funciona da seguinte maneira: o governo federal garante mercado ao laboratório privado internacional - comprando o produto para abastecer a demanda de hospitais e clínicas do SUS , desde que o fabrico seja feito no Brasil envolvendo a transferência de tecnologia do laboratório privado para o laboratório público nacional 85 . Segundo analistas ligados ao Partido dos Trabalhadores e ao executivo federal, as PDPs permitiram ao Brasil produzir vacinas e remédios biotecnológicos 86 , que são feitos pelo cultivo de células para a retirada da substância curativa 87 . Nos três anos em que foi ministro, Padilha formalizou 104 Parcerias de Desenvolvimento Produtivo. Elas envolvem 19 laboratórios públicos e 60 privados, totalizando 97 produtos: 66 medicamentos , 7 vacinas, 19 equipamentos para saúde e 5 pesquisas  em desenvolvimento 88 . Entre as vacinas fruto das PDPs estão a HPV contra câncer do colo do útero 89 , a varicela e a pentavalente, contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b 90 .  Entre os remédios fabricados via PDP estão: Mesilato de Imatinibe, Docetaxel, Boceprevir e Telaprevir, entre outros 91 .
Origem das PDPs
As Parcerias de Desenvolvimento Produtivo começaram a nascer quando Padilha era ministro das Relações Institucionais. Neste período, ele comandava no Conselho Nacional de Desenvolvimento Social, o debate da agenda estratégica definida pelo presidente Lula, cujo item principal era combater as desigualdades regionais e sociais do país 92 . Neste debate, surgiu a proposta de utilizar o grande poder de compra do governo federal para atrair ao Brasil empresas de inovação tecnológica. O propósito era reduzir desigualdades pelo estímulo à indústria de ponta 93 . Por isso, em 2010, a Lei de Licitações foi alterada para permitir “margem de preferência” para compras governamentais a produtos fruto de inovação tecnológica 94 . Ao assumir o ministério da Saúde, Alexandre Padilha aprofunda a ideia. Trabalha junto com a presidente Dilma pela publicação do Decreto 7.713/2012, que estabeleceu parceria preferencial com fabricantes de equipamentos hospitalares e medicamentos biotecnológicos, desde que fosse feita a transferência de tecnologia para a empresa pública nacional parceria 95 . Em seguida, Padilha baixa portaria 3.089/2013 listando os produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde e que teriam a fabricação estimulada via PDPs 96 97 . Para aumentar a confiança dos empresários, Alexandre Padilha criou o marco regulatório das PDPs 98 , mudando a Lei de Inovação Tecnológica e, mais uma vez em 2012, a Lei de Licitação. O marco regulatório estabeleceu que, se o produto é fruto de inovação tecnológica e se a empresa aprovada concorda em transferir tecnologia para a pública da parceria, pode haver dispensa de licitação 99 . Em uma conversa gravada com autorização judicial entre Vargas e o doleiro Alberto Youssef, em novembro passado, o deputado menciona que o ex-ministro teria indicado para a diretoria do laboratório Labogen, empresa de fachada que tem o doleiro entre seus sócios, o executivo Marcus Cezar Ferreira de Moura, ex-assessor do Ministério da Saúde.
Fiscalização da PDP
O processo de elaboração da PDP começa com a publicação no Diário Oficial da União da lista de medicamentos e equipamentos demandados pelo SUS 100 . O laboratório público, então, identifica o parceiro privado detentor da tecnologia desejada. Na sequência, o Ministério da Saúde avalia preço e nível de transferência da tecnologia 101 . A aprovação dos projetos segue para o aval dos ministérios da Indústria e Comércio (MDIC) e da Ciência e Tecnologia (MCTI), além da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidades que compõem o Conselho de Competitividade do Brasil Maior (Gecis) 102 . A partir daí, é firmado um termo de compromisso com os laboratórios parceiros. A Anvisa, então, atesta a qualidade dos equipamentos dos laboratórios. O Ministério da Saúde fiscaliza se a matéria prima está sendo produzida no Brasil. Nenhum pagamento é feito antes da produção dos medicamentos 103 .

Financiamento da Saúde

Quando foi ministro da Saúde, Alexandre Padilha implantou um conjunto de políticas para aumentar o financiamento da Saúde, sem aumento de impostos: Royaltes do Pré-Sal - Padilha destinou 25% dos recursos do Pré-Sal para a Saúde. Ele criou a primeira nova fonte de recursos para a Saúde, desde que o Ministério da Saúde perdeu R$ 40 bilhões anuais com o fim da CPMF. Os royalties aumentarão em 75% os investimentos em Saúde, que saltarão de R$ 84 bilhões em 2014 para R$ 147 bilhões em 2018104 .
Cobrança aos Planos de Saúde - Padilha conseguiu o ressarcimento recorde de recursos dos Planos Privados de Saúde por serviços que eles realizam pelo SUS. Esta marca decorreu a iniciativa de Padilha de universalizar o Cartão SUS para todos os brasileiros que possuem CPF. O Cartão SUS identifica se a pessoa tem Plano Privado de Saúde. Assim, se o Plano usar serviço do SUS, o Ministério detecta105 . Entre 2000 a 2010, o SUS recuperou R$ 125 milhões por atender pacientes de planos de saúde privados, uma média de R$ 11,36 milhões por ano. Mas nos três anos da gestão de Padilha no Ministério da Saúde, 2011 a 2013, o ressarcimento somou R$ 322 milhões, ou seja, 9,4 vezes mais recuperados para a saúde pública106 .
Criação do ProSus – Na sua gestão no Ministério da Saúde, Alexandre Padilha criou o Programa de Fortalecimento das Entidades Privadas Filantrópicas e Sem Fins Lucrativos (ProSus)107 . O programa que troca dívidas históricas das Santas Casas por mais realização de exames, cirurgias e atendimentos a pacientes do SUS108 . O ProSus garantiu uma moratória de até 15 anos para o pagamento de dívidas antigas, mediante compromissos como a retenção mensal para pagamento dos tributos correntes e a melhoria do atendimento aos pacientes do SUS. Para ajudar na recuperação dos hospitais filantrópicos e ampliar o atendimento, Padilha também reformou o Incentivo de Adesão à Contratualização109 , aumentando o incentivo pago aos atendimentos de média complexidade, como raios-x, testes laboratoriais e consultas a médicos especialistas, como oncologistas, urologistas e oftalmologistas110 .
Lei Rouanet da Saúde - Padilha criou uma espécie de Lei Rouanet da Saúde, concedendo abatimento no valor de 1% do que é devido ao imposto de renda para atendimentos, pesquisas e financiamentos do tratamento contra o câncer ou de pessoas com deficiência. Essa foi uma forma de incentivar mais clínicas particulares a atenderem pacientes com câncer ou com deficiência e levar as empresas a financiar pesquisas e aumentar atendimentos nessas duas áreas111 .
Regulamentação da Emenda Constitucional 29 - Padilha conseguiu regulamentar a emenda que define os percentuais mínimos para investimentos na saúde pela União, Estados e Municípios. 112 Assim, a União ficou obrigada a aplicar na saúde o valor empenhado no ano anterior, mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Os Estados ficaram obrigados a aplicar 12% de sua receita e os Municípios 15% da sua receita. A regulamentação definiu claramente o que é gasto em saúde, acabando com a fraude orçamentária. E, mais que isso, evita cortes nos investimentos em saúde113 .
Mudança no financiamento do Saúde da Família - Antes da gestão Alexandre Padilha, o SUS só contabilizava o repasse de recursos aos municípios pelo tamanho da população ou pelos profissionais contratados pelo programa Saúde da Família. A terceira fórmula criada por Padilha, chamada PMAQ, Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica, incentiva a qualidade 114 . Com esse programa, cada equipe de Saúde da Família passou a ter metas a cumprir e a receber um valor de acordo com sua avaliação semestral115 . Quanto melhor o atendimento e a melhoria dos indicadores, maior é o repasse feito à equipe do Saúde da Família, ao posto de saúde, ao município116 .
Mudança na tabela do SUS - Quando era ministro, Alexandre Padilha mudou a política de reajuste da tabela do SUS. Em vez de corrigir a tabela pelo índice da inflação, Padilha estabeleceu reajustes por critérios de qualidade no atendimento. Ele detectou que corrigir a tabela pela inflação induz o hospital a organizar o tratamento do paciente pela lista de exames realizados. Quanto mais procedimentos, mais pagamentos serão feitos pelo SUS. Por isso, a partir de 2011 Padilha parou de realizar reajustes lineares na tabela SUS. Pelo modelo criado por Padilha, que vincula recursos ao desempenho, leva-se em conta não apenas o número de procedimentos realizados, mas também o cuidado necessário para curar o doente117 . Com essa prática, um hospital que tem uma taxa de infecção menor recebe mais do que outro em que os pacientes correm mais risco de contrair uma infecção hospitalar. Com isso, Padilha valorizou não os procedimentos, mas a saúde do paciente118 . Entre as metas de qualidade criadas por Padilha estão: humanização dos serviços, disponibilização de medicamentos e  satisfação do cidadão. Padilha também ampliou a tabela para garantir pagamento ao atendimento ambulatorial e ofereceu vantagens a unidades que realizam 100% dos serviços pelo SUS.As Santas Casas, Hospitais, Estados e municípios que aderiram tiveram ganho financeiro119 . Os que cumprem as metas recebem do SUS um valor quase quadro vezes maior da diária de internação de saúde mental, 60% a mais no pagamento da diárias de UTI e têm maior rentabilidade nos procedimentos realizados em pronto-socorro.

Eleições 2014

Em junho o nome de Padilha foi lançado oficialmente pelo Partido dos Trabalhadores para disputa pelo Palácio dos Bandeirantes120 .

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ALEXANDRE VON BAUMGARTEN

Alexandre von Baumgarten foi um escritor e jornalista brasileiro, assassinado em 1982 em condições misteriosas1 . Ele havia escrito o livro Yellow Cake, supostamente de ficção, sobre uma operação de tráfico de urânio a partir do Brasil para o Oriente Médio. Do manuscrito original, algumas páginas desapareceram após a sua morte.2
Comandada pelo delegado Ivan Vasques de Freitas, a investigação sobre a morte de Baumgarten junto com sua esposa Janete Hansen e do barqueiro Manoel Valente foi baseada no testemunho do bailarino Claudio Werner Polila, o Jiló, que acusou o General Newton Cruz de ter comandado o sequestro do jornalista3 4 . Newton Cruz foi absolvido em 1992 por falta de provas, já que Polila era portador de problemas mentais5 .

 
Ao assumir em 1986 o cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), a convite do então presidente José Sarney, o general Ivan de Souza Mendes constatou que dois dos principais quadros da agência durante o governo João Baptista Figueiredo (1978-1984) – os coronéis Ary Pereira de Carvalho, o Arizinho, e Ary de Aguiar Freire – gozavam de uma prolongada mordomia no Exterior que fugia dos protocolos normais do governo. Homem de confiança do ex-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, desde 1969, quando o ajudou na operação que resultou na queda dos militantes de esquerda do Colina (Comando de Libertação Nacional), em Belo Horizonte, Arizinho se encontrava em Buenos Aires, onde engordava sua aposentadoria com abono de US$ 6 mil mensais por serviços de espionagem. A mesma regalia era desfrutada pelo coronel Ary Aguiar – homem forte de Medeiros na agência central do SNI no Rio de Janeiro –, lotado em Genebra, na Suíça. “Ficou claro que eles estavam no Exterior escondidos porque tinham feito algo errado. Por isso pedi que retornassem imediatamente”, disse Ivan de Souza Mendes, recentemente, a um grupo de militares amigos.
A conclusão do general estava baseada numa coincidência intrigante. Os dois “Arys” debandaram dias depois de terem sido envolvidos no assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em outubro de 1982. Dois dias antes de morrer, o jornalista compôs um dossiê que envolvia membros do SNI num plano para assassiná-lo. No chamado Dossiê Baumgarten, os dois oficiais são acusados de terem participado da reunião em que foi decidida a sua morte.
A participação dos oficiais do SNI e de qualquer outro suspeito do assassinato do jornalista nunca foi comprovada. Apontado como principal testemunha do processo, o bailarino Claudio Werner Polila, o Jiló, apresentou uma versão fantasiosa alimentada pela imprensa e pela polícia na época, que acabou tirando o foco principal da investigação. Embora sofresse de problemas visuais, Polila declarou ter presenciado o sequestro do jornalista, de sua mulher, Janete Hansen, e do barqueiro Manoel Valente por ninguém menos que o chefe da Agência Central do SNI, o general Newton Cruz.
Esse mistério, no entanto, já havia sido desvendado no 14 de outubro, um dia depois do desaparecimento do jornalista, por agentes do CIE de Brasília. Responsável pela análise dos fatos da semana, o então agente no Distrito Federal, Marival Dias, teve acesso a um informe interno que caiu como uma bomba na comunidade de informação. “A notícia interna dizia que o Doutor César (o coronel José Brant) tinha comandado uma operação do Garra – braço armado das ações clandestinas do SNI –, que resultou na morte do Baumgarten”, disse Marival. Os detalhes do assassinato do jornalista foram passados a Marival pelo cabo Félix Freire Dias, o mesmo que cortava os ossos dos presos políticos na Casa de Petrópolis e participou de várias operações de captura e execução com o Doutor César no CIE.
De acordo com Marival, o Doutor César recebeu ordens para dar uma dura no jornalista e recuperar as provas que ele estaria usando para chantagear o SNI. “Mas, ao chegar no Rio, o Doutor César, oficial nervoso recém-chegado do CIE, acabou matando o jornalista, o que o obrigou a eliminar também sua mulher e o barqueiro Manuel.”
Pescaria – Marival esclarece que, quando a notícia chegou ao CIE, o corpo ainda não havia aparecido na praia e a imprensa nem especulava sobre o caso. De fato, o jornalista, que saiu no dia 13 de outubro para uma pescaria ao lado do barqueiro e da mulher, somente apareceu boiando doze dias depois na praia da Macumba, no bairro Recreio dos Bandeirantes. Segundo a perícia, ele não morrera por afogamento e havia marca de três tiros no cadáver. Dias depois, outros dois corpos carbonizados, apontados como sendo de Janete Hansen e do barqueiro, foram localizados em Teresópolis, mas até hoje não foram identificados pela perícia.
Antigo colaborador dos serviços de informação do Exército, Baumgarten usava a revista O Cruzeiro, de sua propriedade, para defender teses favoráveis ao regime militar. Pelos serviços prestados, conseguiu que o SNI lhe fornecesse cartas destinadas a empresários nas quais pedia publicidade. Segundo um amigo do jornalista, que não quis se identificar, ele passou a usar o mesmo método para angariar fundos para a candidatura de Medeiros à Presidência da República. “Aí está a chave do crime”, afirma o amigo. Em seu dossiê, Baumgarten conta que acabou entrando em atrito com o SNI porque a ajuda do órgão à revista não estava sendo suficiente para mantê-la.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EDUARDO CAMPOS

Eduardo Henrique Accioly Campos (Recife, 10 de agosto de 1965Santos, 13 de agosto de 2014)1 foi um economista e político brasileiro, ex-governador de Pernambuco, presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e candidato à Presidência da República.
Campos era graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Aprovado no vestibular desta instituição com 16 anos, concluiu a faculdade aos 20, como aluno laureado e orador da turma.
Neto do também político Miguel Arraes de Alencar, que em 1979 retornou ao Brasil após 15 anos no exílio, Eduardo desde cedo conviveu com nomes emblemáticos da política local e nacional.
Segundo sua assessoria de imprensa, o candidato a presidência do Brasil estava presente no avião que caiu na manhã de 13 de agosto de 2014Nascido no Recife, capital pernambucana, Eduardo Campos era filho do poeta e cronista Maximiano Campos (1941–98) com a ex-deputada federal e atual ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes (1947). Era neto de Miguel Arraes (1916–2005), ex-governador de Pernambuco, sendo considerado seu principal herdeiro político, além de sobrinho de Guel Arraes, cineasta e diretor da Rede Globo de Televisão.3
Eduardo Campos e Miguel Arraes ao fundo.
Eduardo Campos formou-se em Economia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Casado com a também economista e auditora do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco Renata Campos, com quem teve cinco filhos.4 Seu filho mais novo, Miguel, nascido no dia 28 de janeiro de 2014, foi diagnosticado com Síndrome de Down.

Eduardo Campos começou na política ainda na universidade quando foi eleito presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia. Em 1986, Campos trocou a oportunidade de fazer um mestrado nos Estados Unidos pela participação na campanha que elegeu o avô Miguel Arraes como governador de Pernambuco.5 Com a eleição de Arraes, em 1987, passou a atuar como chefe de gabinete do governador. Neste período foi o responsável pela criação da primeira Secretaria de Ciência e Tecnologia do Nordeste e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE).6

Assembleia Legislativa

Campos se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), em 1990. No mesmo ano foi eleito deputado estadual e conquistou o Prêmio Leão do Norte concedido pela Assembleia Legislativa de Pernambuco aos parlamentares mais atuantes.

Congresso Nacional

Em 1994, Campos foi eleito deputado federal com 133 mil votos. Pediu licença do cargo para integrar o governo de Miguel Arraes como secretário de Governo e secretário da Fazenda, entre 1995 e 1998. Neste último ano voltou a disputar um novo mandato de Deputado Federal e atingiu o número recorde de 173.657 mil votos, a maior votação no estado.
Em 2002, pela terceira vez no Congresso Nacional, Eduardo Campos ganhou destaque e reconhecimento como articulador do governo Lula nas reformas da Previdência e Tributária. Por três anos consecutivos esteve na lista do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) entre os 100 parlamentares mais influentes do Congresso.
No decorrer de sua vida pública no Congresso Nacional, Eduardo Campos participou de várias CPI, como a de Roubo de Cargas e a do Futebol Brasileiro (Nike/CBF).7 Nesta última, atuou como sub-relator, onde denunciou o tráfico de menores brasileiros para o exterior fato que, inclusive, teve ampla repercussão na imprensa nacional e internacional.
Como deputado federal, Eduardo foi ainda presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural Brasileiro, criada por sua iniciativa em 13 de junho de 2000. A Frente tem natureza suprapartidária e representa, em toda a história do Brasil, a primeira intervenção do Parlamento Nacional no setor.
Eduardo é também autor de vários projetos de lei. Entre eles, o que prevê um diferencial no FPM para as cidades brasileiras que possuem acervo tombado pelo IPHAN; o do uso dos recursos do FGTS para pagamento de curso superior do trabalhador e seus dependentes; o que tipifica o sequestro relâmpago como crime no código penal; e o da Responsabilidade Social, que exige do Governo a publicação do mapa de exclusão social, afirmando seu compromisso com os mais carentes.

Ministério da Ciência e Tecnologia

Em 2004, a convite do presidente Lula, Eduardo Campos assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia, tornando-se o mais jovem dos ministros nomeados.8 Em sua gestão, o MCT reelaborou o planejamento estratégico, revisou o programa espacial brasileiro e o programa nuclear, atualizando a atuação do órgão de modo a assegurar os interesses do país no contexto global.
Como ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos também tomou iniciativas que repercutiram internacionalmente, como a articulação e aprovação do programa de biossegurança, que permite a utilização de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa e de transgênicos.9 Também conseguiu unanimidade no Congresso para aprovar a Lei de Inovação Tecnológica10 , resultando no marco regulatório entre empresas, universidades e instituições de pesquisa.11 Outra ação importante à frente da pasta, foi a criação da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – considerada a maior olimpíada de Matemática do Mundo em número de participantes.

Presidência do Partido Socialista Brasileiro

Eduardo Campos assumiu a presidência nacional do PSB no ano de 2005. Após seu discurso, Eduardo foi aplaudido de pé pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o vice-presidente, José Alencar; seis ministros, os presidentes nacionais de vários partidos e outras lideranças.
No início de 2006, se licenciou da presidência nacional do PSB para concorrer ao governo de Pernambuco, pela Frente Popular. Em 2011, foi reeleito presidente do partido, com mandato até 2014. Foi reconduzido ao cargo, por aclamação, e sem concorrentes.12 13

Governador de Pernambuco

Campanha 2006

Em 2006 se lançou candidato ao governo do estado de Pernambuco, tendo como coordenadores o ex-deputado estadual José Marcos de Lima, também ex-prefeito de São José do Egito. Mas também contou com apoio de importantes lideranças do interior do estado, como o deputado federal Inocêncio Oliveira e o então prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho. Campos contou com o apoio do presidente Lula, que se dividiu entre o palanque do socialista e do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo, Humberto Costa. Os candidatos de esquerda marcaram posição frente ao nome da situação, o então governador e candidato a reeleição, Mendonça Filho (PFL), apoiado pelo ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB).
O primeiro turno apresentou um fato curioso: o presidente Lula manifestou apoio para dois candidatos à sucessão estadual: Eduardo Campos, do PSB, e Humberto Costa, do PT. Tal posicionamento foi encarado pelos críticos políticos como uma estratégia dos partidos de esquerda do estado para quebrar a hegemonia do ex-governador Jarbas Vasconcelos, que apoiava a reeleição do candidato pelo PFL Mendonça Filho, governador que assumiu o poder após a renúncia de Jarbas em abril de 2006, que saiu do governo para disputar uma vaga de senador, visando a levar as eleições estaduais para o segundo turno.

Eduardo Campos iniciou a campanha eleitoral, de acordo com as pesquisas eleitorais, na terceira colocação. Mas a coligação que apoiava Mendonça Filho, utilizou extensivamente denúncias de corrupção que pesavam sob o candidato Humberto Costa quando ocupou o cargo de Ministro da Saúde, no governo Lula. Os aliados de Mendonça Filho e Jarbas Vasconcelos acreditavam que os votos dos potenciais eleitores de Humberto poderiam migrar naturalmente para Mendonça. Afirmavam que, mesmo as eleições sendo levadas para um segundo turno, o candidato Eduardo Campos seria um alvo mais fácil para ser atacado na campanha por causa do seu envolvimento, como secretário da Fazenda, nas operações dos precatórios no último governo de Miguel Arraes; o que eles não contavam é que ainda no período eleitoral ele e o governo do avô foram inocentados na justiça, em última instância, sobre o caso.
Humberto Costa, que saiu da campanha do primeiro turno na terceira colocação, manifestou logo de imediato apoio a Eduardo Campos. O candidato do PSB conseguiu aglutinar em seu palanque quase todas as forças sociais e partidos opositores de Mendonça Filho e Jarbas Vasconcelos. O governador candidato a reeleição, Mendonça Filho, não conseguiu se eleger e Eduardo Campos foi eleito com mais de 60% dos votos válidos para governador no segundo turno.14 15

Reeleição

Com o governo bem avaliado e a popularidade em alta, Eduardo Campos concorreu à reeleição em 2010. Assim como em 2007, contou com o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Campos foi reeleito, desta vez como o governador mais bem votado do Brasil: mais de 80% dos votos válidos no primeiro turno, derrotando o senador Jarbas Vasconcelos16 .

A gestão de Eduardo Campos

Eduardo Campos ocupou o Governo de Pernambuco durante sete anos (2007–14). Na primeira gestão se destacam projetos e obras estruturadoras como a ferrovia Transnordestina, a Refinaria de Petróleo Abreu e Lima, a fábrica de hemoderivados Hemobrás e a recuperação da BR-101.
O socialista colocou as contas públicas na internet com o Portal da Transparência do Estado, considerado pela ONG Transparência Brasil o segundo melhor do país, entre os vinte e sete estados da federação. O estado de Pernambuco cresceu acima da média nacional (3,5% em 2009) e os investimentos foram de mais de R$ 2,4 bilhões em 2009, contra média histórica de R$ 600 milhões/ano. A administração foi premiada pelo Movimento Brasil Competitivo.
Na segurança pública houve redução dos índices de violência com a implantação do programa Pacto pela Vida. O número de homicídios no estado sofreu uma queda 39,10% desde o início do programa. Além disso, 88 municípios pernambucanos chegaram a uma taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) menor que a média nacional que é de 27,1 por 100 mil habitantes. A redução também ocorreu com crimes como roubos e furtos. Entre 2007 e 2013 houve uma dimunição de 30,3% neste tipo de delito no estado.17
Esse prêmio é um reconhecimento muito especial, porque é o maior prêmio de gestão pública do mundo. Vamos recebe-lo com muita alegria em nome de tantos, que no anonimato, diariamente nos ajudam no Pacto Pela Vida. Estamos no caminho certo para transformar Pernambuco no lugar mais seguro do País
Sobre o prêmio conquistado pelo Pacto pela Vida18
Em 2013 Eduardo anuncia o rompimento com o governo Dilma, saindo da base aliada, junto com seus correligionários, orientando-os a entregarem os cargos de confiança nos vários escalões.
Entre os motivos do rompimento, Campos aponta a manutenção da aliança do governo Dilma com setores políticos tradicionais, entre os quais, com o PMDB. Aproxima-se de Marina Silva e a acolhe, com seus aliados, no PSB, chamando o novo movimento de "Nova Política".

Saúde

Foram construídos três novos hospitais na Região Metropolitana do Recife (RMR) e 14 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), além da expansão do número de leitos de UTI e UCI. Entre 2006 e 2013, Pernambuco se firmou como o estado nordestino com o maior ganho de anos na expectativa de vida (3,72 anos), superando a média da região. Houve também redução de 9,6% na taxa de mortalidade por causas evitáveis. Em 2011, Pernambuco alcança a média nacional em relação à mortalidade infantil, reduzindo em 47,5% o seu coeficiente.
Eduardo discursa na inauguração do bloco anexo do Hospital do Câncer de Pernambuco.

Educação

Entre 2007 e 2011, Pernambuco registrou um crescimento de 14,8% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb. O número é mais de duas vezes superior à média nacional de 6,2%. Os alunos das Escolas Técnicas Pernambucanas apresentaram um desempenho médio 47% superior em relação aos estudantes de outras partes do Brasil, como São Paulo e Santa Catarina, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Pernambuco tem hoje a maior rede de Escolas de Referência do Brasil, com, 260 unidades. De acordo com pesquisa do Inep, somente em 2012 mais de 85 mil alunos foram matriculados – o que corresponde a 10 vezes mais que a média nacional de 8.509. Em 2013, foram 163 mil alunos matriculados. A Educação Profissional foi ampliada e atualmente 26 Escolas Técnicas estão em funcionamento no estado. O Programa Ganhe o Mundo levou 2 270 alunos para intercâmbios em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Espanha.

Emprego

Entre 2007 e 2013 foram gerados 560 mil empregos formais, sendo 150 mil apenas no interior do estado – o que representa uma expansão de 48% no mercado formal de Pernambuco. O governo também atraiu mais de R$ 78 bilhões de investimentos privados. Empresas como Sadia (Vitória de Santo Antão), Perdigão (Bom Conselho), Novartis (Goiana), Kraft Foods (Vitória de Santo Antão) e Fiat Chrysler (Goiana) se instalaram no estado.

Eleição presidencial em 2014

Oficialmente confirmada como pré-candidata à reeleição, Dilma Rousseff tem entre seus principais adversários o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o senador do PSDB por Minas Gerais, Aécio Neves.19
Eduardo Campos firmou uma aliança programática com Marina Silva, ex-senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente da primeira gestão do governo Lula e atual líder da Rede Sustentabilidade. A dupla confirmou a pré-candidatura da chapa que terá Campos como candidato a presidente e Marina na vice, durante evento realizado em Brasília, em 14 de abril de 2014.20
Aécio Neves também confirmou a sua candidatura pelo PSDB, tendo como vice o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Aliança Programática PSB – Rede Sustentabilidade


Em outubro de 2013 o então governador Eduardo Campos anunciou a aliança programática com a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, cujo pedido de registro do novo partido foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A aliança foi formalizada em 4 de fevereiro de 2014, no evento que lançou as bases para elaboração do programa de governo do PSB-Rede. Na mesma data, o Partido Popular Socialista (PPS), através do deputado federal Roberto Freire, formalizou a entrada do partido na aliança.
As diretrizes para elaboração do programa de governo são: Estado e democracia de alta densidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; Educação, cultura e inovação; Políticas sociais e qualidade de vida e Novo urbanismo e o pacto pela vida.
Eduardo Campos anunciou em abril de 2014, em um evento realizado em Brasília, a pré candidatura a presidência do Brasil, tendo como vice a líder da Rede Sustentabilidade, Marina Silva.

Morte

Em 13 de agosto de 2014, o então candidato a presidência da República embarcou em um avião modelo Cessna Citation Excel que saiu do Rio de Janeiro em direção ao município de Guarujá para cumprir agenda de campanha. Por volta das 10h, o avião, após arremeter devido ao mau tempo, caiu em cima de uma casa em Santos - no bairro do Boqueirão - matando os sete ocupantes e ferindo 6 pessoas. 21 22

Premiações

  • 2009 – considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano.23
  • 2010 – primeiro colocado no Ranking de governadores estabelecido pelo Instituto Datafolha de Pesquisas, sendo uma dessas com 80% de aprovação entre os pernambucanos.24
  • 2011 – apontado pela pesquisa Ibope/Band como o melhor governador do Brasil e novamente, pela Revista Época, um dos 100 brasileiros mais influentes do ano.25 26
  • 2013 – Pacto pela Vida recebe o prêmio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na categoria “Governo Seguro – Boas práticas em prevenção do crime e da violência”.

Trajetória política