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terça-feira, 25 de março de 2014

ANITA MALFATTI

Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 — São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora e professora brasileira.
Filha do engenheiro italiano Samuele Malfatti e de mãe norte-americana Betty Krug1 , Anita Malfatti nasceu no ano de 1889, apenas proclamada a República, na cidade de São Paulo.
Segunda filha do casal, nasceu com atrofia no braço e na mão direita. Aos três anos de idade foi levada pelos pais a Lucca, na Itália, na esperança de corrigir o defeito congênito. Os resultados do tratamento médico não foram animadores e Anita teve que carregar essa deficiência pelo resto da sua vida. Voltando ao Brasil, teve a sua disposição Miss Browne, uma governanta inglesa, que a ajudou no desenvolvimento do uso da mão esquerda e no aprendizado da arte e da escrita.
Iniciou seus estudos em 1897 no Colégio São José de freiras católicas, situado à rua da Glória. Aí foi alfabetizada. Posteriormente passa a estudar em escola protestante: na Escola Americana que pouco depois tomaria o nome de Mackenzie College onde, em 1906, recebe o diploma de normalista.
Nesse meio tempo faleceu Samuele Malfatti, esteio moral e financeiro da família. Sem recursos para o sustento dos filhos, D. Betty passa a dar aulas particulares de idiomas e também de desenho e pintura. Chegou a submeter-se à orientação do pintor Carlo de Servi para com mais segurança ensinar suas discípulas. Anita acompanhava as aulas e nelas tomava parte. Foi portanto sua própria mãe quem lhe ensinou os rudimentos das artes plásticas.
"Eu tinha 13 anos, e sofria porque não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda me revelara o fundo da minha sensibilidade[...]Resolvi, então, me submeter a uma estranha experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. Nossa casa ficava próxima da estação da Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente as minhas tranças de menina, deitei-me debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim. Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delírio e de loucura. E eu via cores, cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar à pintura."Anita Malfatti.
Anita pretendia estudar em Paris, mas sem a ajuda do pai, parecia impossível, tendo em vista que sua avó vivia entrevada numa cama e sua mãe passava o dia dando aulas de pintura e de idiomas.
Anita tinha umas amigas, as irmãs Shalders, que estavam prestes a viajar à Europa para estudar música. Assim surgiu a ideia de acompanhá-las à Alemanha e seu tio e padrinho, o engenheiro Jorge Krug, aceitou financiar a viagem.
Anita e as Shalders chegaram em Berlim em 1910, ano marcante na história da Arte Moderna alemã.
"Os acontecimentos precipitavam-se tão depressa, que eu me lembro de ter vivido como dentro de um sonho. Nada do que acontecia se assemelhava com o que havia acontecido no Brasil."
"Comprei incontinente uma porção de tintas, e a festa começou" Anita Malfatti.
Berlim era então o grande centro musical da Europa. Acompanhando suas amigas às aulas no centro musical, ali recebeu a sugestão para estudar no ateliê do artista Fritz Burger.
Fritz Burger era um retratista que dominava a técnica pontilhista ou divisionista. Foi o primeiro mestre de Anita. Nessa época ela ingressou na Academia de Belas Artes de Berlim.
Durante as férias de verão, Anita e as amigas foram às montanhas de Harz, em Treseburg, região frequentada por pintores. Continuando sua viagem, visitou a 4° Sonderbund, uma exposição que aconteceu em Colônia na Alemanha, na qual conheceu trabalhos de pintores modernos, incluindo-se o tão admirado Van Gogh.
Teve aulas também com Lovis Corinth nome bem mais conhecido do que seu primeiro mestre. Corinth, um tipo bem germânico, não tinha a menor paciência com seus alunos. Mas com Anita era diferente. Talvez porque se identificasse com ela. Alguns anos antes sofrera um AVC que, como sequela, tal como a aluna, lhe deixara alguma dificuldade motora na mão direita.
Anita estava cada vez mais interessada pela pintura expressionista, desejava aprender sua técnica. Em 1913, inicia aulas com o professor Ernest Bischoff Culm da mesma escola de Corinth.
Com a instabilidade causada pela aproximação da guerra, Anita Malfatti resolve deixar Berlim, antes passando por Paris.


"Voltando ao Brasil, só me perguntavam pela Mona Lisa, pela glória da Renascença, e eu… nada"
"Minha família e meus amigos, eram de opinião de que eu deveria continuar meus estudos de pintura. Achavam meus quadros muito crus, mas, felizmente, muito fortes, o que prometia para o futuro uma pintura suave, quando a técnica melhorasse" Anita Malfatti.
São Paulo, 1914, Anita tinha 24 anos e, com mais de quatro anos de estudo na Europa, finalmente voltava para o seio familiar. A cidade crescia, mas o ambiente artístico ainda era incipiente, o gosto predominante ainda era pela arte acadêmica. Ao mostrar suas obras - nada acadêmicas - Anita tentava explicar os avanços da arte na Europa, onde os jovens haviam levado às últimas consequências as conquistas vindas do impressionismo.
Anita ainda continuava firme no desejo de partir mais uma vez em viagem de estudos. Sem condições financeiras, tentou pleitear uma bolsa junto ao Pensionato Artístico do Estado de São Paulo. Por essa razão, montou no dia 23 de maio de 1914, uma exposição com obras de sua autoria, exposição essa que ficou aberta até meados de junho.
O senador José de Freitas Valle foi visitar essa exposição. Dependia dele a concessão da bolsa. Mas o influente político não gostou das obras de Anita, chegando a criticá-las publicamente. Entretanto, independentemente da opinião do senador, a bolsa não seria concedida. Notícias do iminente início da guerra na Europa, fizeram com que o Pensionato as cancelasse. Foi aí que, mais uma vez, financiada pelo tio, o engenheiro e arquiteto Jorge Krug, Anita embarca para os Estados Unidos.


"Aí começa o período maravilhoso de minha vida. Entrei na Independent School of Art de Homer Boss, quase mais filósofo que professor.{…}O maior progresso que fiz na minha vida foi nesta ilha e nesta época de ambientes muito especiais. Eu vivia encantada com a vida e com a pintura."
" Era a poesia plástica da vida, era festa da forma e era a festa da cor" Anita Malfatti.
No início de 1915, Anita Malfatti já se encontrava em Nova York e matriculada na tradicional Art Student's League. Nessa escola, Anita ia de um professor a outro na tentativa de encontrar o caminho que sonhava para seus trabalhos. Após três meses de estudos, desistiu de qualquer curso de pintura ou desenho nessa instituição por demais conservadora, reservando-a apenas para os estudos de gravura. Trazendo em sua pintura a marcas do expressionismo, dificilmente Anita conseguiria adaptar-se a uma academia de ensino tradicional. Sobre sua experiência na instituição, escreveria de forma lacônica, mas muito claramente: "Fui aos Estados Unidos, entrei numa academia para continuar meus estudos, e que desilusão! O professor foi ficando com raiva de mim, e eu dele, até que um dia, a luz brilhou de novo. Uma colega me contou na surdina que havia um professor moderno, um grande filósofo, incompreendido e que deixava os alunos pintar à vontade. Na mesma tarde procuramos e professor, claro". O tal professor da Independent School of Art, era Homer Boss, artista hoje quase esquecido pelos estudiosos da arte norte-americana.
Nas férias de verão, Homer Boss levou os alunos para pintar na costa do Maine, na ilha de Monhegan. Esse Estado litorâneo mais ao nordeste, fronteira com o Canadá, tornara-se há muito o refúgio dos artistas. Foi nessa pitoresca ilha que a ainda não famosa aluna de Boss pintou, entre outras, a belíssima paisagem intitulada O farol, uma de suas obras primas. Passado o verão, Anita voltou à Independent School of Art. Em meados de 1916, preparava-se para voltar ao Brasil.


Em 1916, Anita se encontrava de novo em casa, no aconchego familiar… "Eram caixões de obras de arte, desenhos, gravuras e quadros de todos os tamanhos. Minha família e meus amigos estavam curiosos para ver meus trabalhos. Mas que efeito!"Anita Malfatti.
Nada daquilo que Anita trazia dos Estados Unidos, se assemelhava à " pintura suave", nada daquilo esperado e imaginado por seus amigos e parentes. Sua força masculina, que causara estranheza na sua primeira individual em 1914, atingira o ponto máximo de exagero. Anita inconscientemente, "rompera" com as regras da pintura acadêmica tão apreciada por seus parentes. A surpresa e a incompreensão foram inevitáveis. As obras que a pintora trouxe dos Estados Unidos, deixaram em sua família uma sensação tão grotesca, que o mal estar durou por anos. É fato que o assunto tornou-se "tabu" entre os membros da família e Anita diria depois laconicamente:"Quando viram minhas telas, todos acharam-nas feias, dantescas, e todos ficaram tristes, não eram os santinhos dos colégios. Guardei as telas."
Depois, seria mais específica, dizendo:"Ficaram desapontados e tristes. Meu tio, Dr. Jorge Krug, que tanto interesse teve na minha educação, ficou muito aborrecido. Disse ele:'Isto não é pintura, são coisas dantescas'" A expressão " coisas dantescas", ficaria para sempre gravada na mente e no coração de Anita. A incompreensão foi geral. Anita logo se deu conta do quanto suas telas, que traduziam sua alma, estavam distantes das do ambiente acadêmico que a rodeava. No mesmo depoimento de 1951, a pintora lembraria:"Então, pela primeira vez em minha vida, comecei a entristecer-me pois estava certa de que meu trabalho era bom; tanto os modernos franceses como os americanos haviam dito espontaneamente, desinteressadamente. Só desejei esconder meus quadros, já que, para me consolar, ou outros acharam que eu podia pintar como quisesse. Eles estavam desconsolados, porque me queriam bem. Entretanto eu sabia que aquela crítica não tinha fundamento, especialmente porque estava dentro de um regime completamente emocional. Eu nunca havia imitado a ninguém; só esperava com alegria que surgisse, dentro da forma e da cor aparente a mudança; eu pintava num diapasão diferente e era essa música da cor que me confortava e enriquecia minha vida." Anita Malfatti.


A estudante (1915-1916), de Anita Malfatti. Acervo do Museu de Arte de São Paulo.
Em 1917 Anita resolveu promover sua segunda exposição individual.
"A exposição da senhorita Malfatti, toda ela de pintura moderna, apresenta um aspecto original e bizarro, desde a disposição dos quadros aos motivos tratados em cada um deles. De uma rápida visita ao catálogo, o visitante há de inteirar-se logo do artista que vai observar. Tropical e Sinfonia colorida, são nomes que qualquer pintor daria até a uma paisagem, menos a uma figura, como tão bem fez a visão impressionista de sua autora. Essencialmente moderna, a arte da senhorita Malfatti, se distancia consideravelmente dos métodos clássicos. A figura ressalta, do fundo do quadro, como se nos apresentasse, em cada traço, quase violento, uma aresta do caráter do retratado. A paisagem é larga, iluminada, quase sempre tocada de uma luz crua, meridiana, que põe em relevo as paredes alvas, num embaralhamento de vilas sertanejas, onde a minudência se afasta para a mais forte impressão do conjunto." Crítico de O Estado de S.Paulo, provavelmente Nestor Pestana
Os acontecimentos a partir da primeira semana se deram de forma tão rápida e surpreendente, que Anita só se atreveria a narrá-los 34 anos depois:"A princípio foram os meus quadros muito bem aceitos, e vendi, nos primeiros dias, oito quadros. Em geral depois da primeira surpresa, acharam minha pintura perfeitamente normal. Qual não foi a minha surpresa quando apareceu o artigo crítico de Monteiro Lobato."Anita Malfatti.
"Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura… Se Anita retrata uma senhora com cabelos geometricamente verdes e amarelos, ela se deixou influenciar pela extravagância de Picasso e companhia - a tal chamada arte moderna..". Monteiro Lobato.
Após a crítica de Lobato, publicada em O Estado de S.Paulo, edição da tarde, em 20 de dezembro de 1917, com o título de A propósito da exposição Malfatti, as telas vendidas foram devolvidas, algumas quase foram destruídas a bengaladas; o artigo gerou uma verdadeira catilinária em artigos de jornais, contra Anita. A primeira voz que se levantou em defesa da pintora, ainda que timidamente, foi a de Oswald de Andrade. Pela imprensa, ele elogiou o talento de Anita e parabenizou pelo simples fato dela não ter feito cópias. Pouco depois, jovens artistas e escritores, começando a entender aquele jeito diferente de pintar e possuídos pelo desejo de mudança que as obras de Anita suscitaram, uniram-se a ela, como: Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida.
Anita inicia estudos com o pintor acadêmico Pedro Alexandrino no ano de 1919, e também com o alemão George Fischer Elpons um pouco mais avançado do que o velho mestre das naturezas mortas. Foi nessa ocasião que conheceu Tarsila do Amaral que tinha aulas com os mesmos professores. Depois do pai, o tio Jorge Krug, que a havia ajudado tanto, também faleceu e Anita precisou buscar caminhos para vender suas obras. Pedro Alexandrino já era um pintor de renome e vendia com muita facilidade seus trabalhos. Anita busca essa aproximação sendo sua aluna, embora muitas interpretações apontem para a versão de que ela o procurou para reestruturar o estilo da sua pintura. Seus biógrafos acreditam que o artigo de Monteiro Lobato foi agressivo e até maldoso e que deixou marcas profundas na vida e na obra da artista. Mas, essa versão é contestada por alguns poucos, pois ao ler na íntegra a crítica de Monteiro Lobato, verificamos que o título original nunca foi "Paranoia ou Mistificação" e sim, "A propósito da exposição Malfatti", e em muitos trechos Anita é elogiada pelo crítico. Mas o certo é que Anita ficou moralmente arrasada com a crítica de Monteiro Lobato. Ficou magoada pelo resto da vida, mas não o suficiente para destruir sua força de mulher destemida e ousada. Apesar da mágoa, Anita ilustrou livros de Monteiro Lobato e na década de 40 participou de um programa na Rádio Cultura chamado "Desafiando os Catedráticos", juntamente com Menotti Del Picchia e Monteiro Lobato. Os ouvintes telefonavam fazendo perguntas para que o trio respondesse.

A Semana de Arte Moderna de 1922


Após a enorme confusão causada por Monteiro Lobato, a vida de Anita Malfatti começou a ter certa normalidade. O tempo que se seguiu após a exposição, foi de assimilação do novo, da percepção daquilo que até então não fora nem sonhado.
"Parece absurdo, mas aqueles quadros foram a revelação. E ilhados na enchente que tomara conta da cidade, nós, três ou quatro, delirávamos de êxtase diante de obras que se chamavam O homem amarelo, A mulher de cabelos verdes."
"Assisti bem de perto essa luta sagrada e palavra que considero a vida artística de Anita Malfatti um desses dramas pesados que o isolamento dos indivíduos apaga para sempre feito segredo mortal.O povo passa, povo olha o quadro e tudo neste mostra vontade e calma bem definidas.O povo segue seu caminho depois de ter aplaudido a obra boa sem saber que poder de miserinhas cotidianas maiores que o Pão de Açúcar aquela artista bebeu diariamente com o café da manhã" Mário de Andrade.
Após o período de recesso, a Semana de Arte Moderna, mais uma vez, movimentou a vida artística insípida de São Paulo. Anita participou dela com 22 trabalhos.
"Recordo-me que no dia da inauguração, o velho conselheiro Antônio Prado, com grande espanto da comitiva, quis comprar meu quadro O homem amarelo, porém, Mário de Andrade acabava de adquiri-lo. A plantinha havia vingado"
" Foi a noitada das surpresas. O povo estava muito inquieto, mas não houve vaias. O teatro completamente cheio. Os ânimos estavam fermentando; o ambiente eletrizante, pois que não sabiam como nos enfrentar. Era o prenúncio da tempestade que arrebentaria na segunda noitada"
Anita estava feliz entre o círculo modernista, uma vez que ele vinha ao encontro de suas aspirações artísticas, entraria também para o comentado grupo dos cinco.


" Mário de Andrade lia uma conferência. Ao terminar a leitura, o Dr. Freitas Valle num grande gesto levantou-se de seu trono e encaminhou-se para mim, o que me assustou de tal maneira que perdi o controle…Ele realmente chegou-se para junto de mim e disse mesmo de verdade que eu poderia embarcar para a Europa em viagem de estudos…- qualquer coisa me aconteceu, não sei se voei pelo telhado ou se afundei no chão…então surgiu uma dama, eu não a conhecia, que me reconfortou e rindo-se muito da minha confusão, afirmava ser aquilo verdade… Era Dona Olívia…" Dessa forma, Anita embarcava mais uma vez, em viagem de estudos para a Europa, ou melhor dizendo, para Paris. Seriam cinco anos de estudos pela bolsa do Pensionato. Este seria o último e o mais longo período de Anita fora do Brasil. Em agosto de 1923, embarcando pelo vapor Mosella rumo à França, aquela jovem baixa, com o lenço displicentemente esquecido sobre a mão direita, tinha então 33 anos. Mário de Andrade que não conseguiu chegar a tempo da partida de Anita, enviara-lhe o seguinte telegrama:
" Querida amiga choro de raiva automóvel maldito escrevo hoje contando minha saudade e desespero perdoa mil beijos nas tuas mãos divinas boa viagem felicidades. Mário. São Paulo-21-8-1923.".A guerra que perdurara por anos, pôs um ponto final aos hábitos e costumes da belle époque. Foi fatal também para o academismo. Agora seus antigos espaços eram ocupados pela arte moderna, que com grande vitória e sucesso se espalhara por todos os cantos e continuava em expansão acelerada nos salões, galerias e coleções. Há muito tempo, Paris atraia os artistas brasileiros - que eram e continuavam acadêmicos - mas agora, nesse 1923, o modernismo brasileiro estava em Paris, atualizando-se.
E Anita estava lá, na tentativa incansável de encontrar-se. Apesar das muitas dúvidas que ainda tinha em relação a que caminho seguir na sua arte, Anita não deixou de trabalhar, de produzir. Logo no início do estágio francês, Anita parece ter se " aconselhado" com o pintor Maurice Denis, possivelmente atraída pelos aspectos da pintura religiosa. Nesse último estágio, uma das características mais fortes de Anita, era a busca por uma postura menos polêmica, em comparação com a época norte-americana. A impressão que se tem, é de que ela procurava por uma espécie de classicismo moderno. Na Escola de Paris, no pós-guerra, muitos pintores das mais diversas origens, passavam pela experiência da releitura da arte de séculos passados, como Picasso, por exemplo. Nessa fase, que se pode dizer, "um aprender de novo", Anita testou várias possibilidades, e frequentemente produzia obras interessantes. Estudou muito, aprendeu muito, mas perdeu um pouco da sua audácia, com aquela urgência constante de " se contar " à tela, agora se continha, obedecendo as ordens formais da pintura. Nesses cinco anos, a crítica francesa notaria o trabalho da pioneira, algumas telas como Interior de Mônaco", A dama de azul, Interior de igreja e A mulher do Pará , seriam as obras mais destacadas pela crítica internacional nesses anos de estudo e apresentação. A crítica francesa seria unânime também nos elogios feitos aos desenhos : "Seja: mas os desenhos? Sua personalidade única torna impossível toda tentativa de apadrinhamento, mesmo suntuoso.[...]Quanto aos desenhos de nus, de uma fatura tão pessoal, tão nítida, poucos artistas de escola moderna podem apresentá-los tão notáveis. A crítica foi unânime a este respeito".
As telas interiores-exteriores, ocupados por uma figura feminina, e as exteriores-interiores, também com figuras femininas, seriam a produção mais válida e permanente da Anita do estágio francês, com suas " mulheres" solitárias, reclinadas ao balcão. Assim, Anita Malfatti entremostrava sua solidão.


No final de setembro de 1928, Anita já se encontrava no Brasil.
"A ilustre artista mudou muito a arte dela[...]Também[...] vem encontrar os companheiros antigos bastante modificados e reforçados. Terá agora mais facilidade em ser compreendida e estimada no seu valor." Mário de Andrade.
O ambiente artístico, encontrado por Anita na volta, era bem diferente do que deixara em 1923; o grupo inicial evoluíra muito, surgiam novos adeptos e novos movimentos. O número de artistas plásticos também crescera. Na chegada, Mário de Andrade - o maior e melhor amigo de Anita - noticiou imediatamente sua chegada, relembrando quem ela era:
"O nome de Anita Malfatti já está definitivamente ligado à história das artes brasileiras pelo papel que a pintora representou no início do movimento renovador contemporâneo. Dotada duma inteligência cultivada e duma sensibilidade vasta, ela foi a primeira entre nós a sentir a precisão de buscar os caminhos mais contemporâneos de expressão artística, de que vivíamos totalmente divorciados, banzando num tradicionalismo acadêmico que já não correspondia mais a nenhuma realidade brasileira nem internacional".
Em 1929 abria em São Paulo, sua quarta individual. Depois de fechar sua exposição, até 1932, Anita dedicou-se ao ensino escolar. Retomou suas aulas na Escola Normal Americana e foi trabalhar também na Escola Normal do Mackenzie College. Em 1933, muda-se para a Rua Ceará, no bairro de Higienópolis, onde instala seu ateliê e dá aulas, inclusive para Oswald de Andrade Filho, onde permanece até 1952, com a venda da casa, com a morte de sua mãe.2
Podemos dividir as fases artísticas de Anita Malfatti em três: 1- a primeira seria quando define sua forma expressionista de pintar; 2- a segunda seria a das dúvidas de que caminho seguir na arte; 3- dos 20,30 e início dos anos 40, quando depois da morte de Mário de Andrade e de sua mãe, Dona Betty, seria transformada numa terceira Anita Malfatti, e recolhida na sua chácara em Diadema. Iria finalmente, em paz consigo mesma " pintar à vontade", " à seu modo". A individual de 1945, prova essa unidade na pintura de Anita. A artista estava decidida em seu caminho de paz, na sua reclusão.
"É verdade que eu já não pinto o que pintava há 30 anos.Hoje, faço pura e simplesmente arte popular brasileira. É preciso não confundir:arte popular com folclore…[...]eu pinto aspectos da vida brasileira, aspectos da vida do povo. Procuro retratar os seus costumes, os seus usos, o seu ambiente. Procuro transportá-los vivos para as minhas telas. Interpretar a alma popular[...]eu não pinto nem folclore, nem faço primitivismo. Faço arte popular brasileira"
Em 1964, na cidade de São Paulo, Anita Malfatti morre, mas deixa um precioso legado para a arte brasileira introduzindo um novo estilo de pintar que, rejeitado a princípio, foi aos poucos adotado por toda uma geração de artistas. Marco divisório entre o antigo e o novo, a obra de Anita constitui uma inestimável contribuição para a cultura brasileira.


  • Na minissérie Um Só Coração (2004), de Maria Adelaide Amaral - Rede Globo, Anita Malfatti, foi representada pela atriz Betty Gofman.
  • Anita Malfatti - documentário - Premio Estímulo de Curta-metragem da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2001 - de Luzia Portinari Greggio.
  • Ilustrou o livro Cafundó da Infância, de Carlos Lébeis em 1936

BIBLIOGRAFIA

  • ALMEIDA, Paulo Mendes de. De Anita ao museu. São Paulo: Perspectiva, 1976.
  • AMARAL, Aracy (Org.). Artes plásticas na Semana de 22. São Paulo: Perspectiva, 1970.
  • ANDRADE, Mário de. Cartas a Anita Malfatti- Organização Marta Rossetti Batista. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989.
  • BATISTA, Marta Rossetti - Anita no tempo e no espaço: biografia e estudo da obra. São Paulo: Ed.34/EDUSP, 2006.
  • CHIARELLI, Tadeu. Um jeca nos vernissages: Monteiro Lobato e o desejo de uma arte nacional no Brasil. São Paulo: EDUSP, 1995.
  • GREGGIO, Luzia Portinari. Anita Malfatti – Tomei a liberdade de pintar a meu modo. São Paulo: Magma Cultural Ed. , 2007, 150 ilustrações.
  • GREGGIO, Luzia Portinari (curadora) - Catalogo da Exposição: "Anita Malfatti - 120 anos de nascimento - CCBB de Brasilia, 2010. 160 pg. 120 ilustrações.
  • LOBATO, Monteiro. Paranoia ou mistificação?. In: Ideias de Jeca Tatu, São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 3ª edição,1922.
  • BÉNÉZIT, E. Dictionnaire, etc.. Paris: Gründ, 1999.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1989.
  • CAMARGO, Ani Perri. Anita Malfatti: a festa da cor. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2009.
  • MALFATTI, Doris. Minha tia Anita Malfatti. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2009.
  • PONTUAL, Roberto - "Entre 2 seculos - arte brasileira na Coleção Gilberto Chateaubriand", Rio de Janeiro, Ed. JB, 1987
  • CAMARGOS, Márcia. Semana de 22 entre vaias e aplausos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003 (1ª reimpressão).


segunda-feira, 24 de março de 2014

Stromae - Tous Les Mêmes

Stromae - Papaoutai

GAY TALESE

GAY TALESE
Gay Talese ( / t ə l i ː z / , nascido 07 de fevereiro de 1932) é um autor americano. Como um escritor de The New York Times e Esquire magazine na década de 1960, ele ajudou a definir o jornalismo literário . Seus artigos mais famosos são cerca de Joe DiMaggio e Frank Sinatra . [1] [2] [3] [4] [5]
Talese é um escritor convidado no Mestrado do Programa de Escrita Profissional na Universidade do Sul da Califórnia a cada primavera.Gay Talese nasceu em uma católica romana ítalo-americano família em Ocean City, New Jersey , localizada ao sul de Atlantic City . Seu pai, Joseph Talese, era um alfaiate que havia imigrado para os Estados Unidos em 1922 a partir de Maida , uma cidade na província de Catanzaro no sul da Itália. Sua mãe, a ex-Catherine DePaolo, era um comprador para uma loja de departamento Brooklyn (ele é às vezes erroneamente identificado como sendo do Brooklyn).
Na escola, quando criança, ele usava artesanais ternos de loja de seu pai, que, mais tarde ele refletidas em seu livro de memórias Origens de um escritor não-ficção (1996), fez com que ele parece ser mais velho do que seus colegas de classe. Ele contou seus primeiros anos em seu livro aos filhos .
Talese graduou Oceano City High School , em 1949. [6]
Talese foi casada com outro escritor, Nan Talese (um editor de Nova York, que corre o Nan A. Talese / Doubleday marca) há mais de 50 anos. Gay e casamento de Nan Talese será o tema do próximo livro de Talese, o terceiro de uma série publicada pela Knopf . [7] Os primeiros dois livros, aos filhos e de um escritor Vida , foram publicados em 1992 e 2006, respectivamente.
Talese permanece ativo na comunidade ítalo-americana, incluindo a Fundação Americana italiano Nacional , que sediou série de um escritor em seu nome. Ele tem sido um defensor para mais ítalo-americanos a seguirem carreiras na escrita e edição.A entrada da Talese na escrita era inteiramente casualidade ea consequência não intencional da tentativa do então estudante do segundo ano do ensino médio para ganhar mais tempo de jogo no time de beisebol. O assistente técnico tinha o dever de chamar na crônica de cada jogo para o jornal local e, quando ele reclamou que estava muito ocupado para cuidar dele, o treinador virou-se para Talese para assumir as funções. Como ele recorda, Origens,
"Na suposição equivocada de que aliviar o departamento atlético de suas atribuições imprensa me ganhar a gratidão do treinador e me mais tempo de jogo, eu aceitei o trabalho e até mesmo embelezado-lo usando minhas habilidades de digitação para compor minha própria conta dos jogos ao invés de meramente retransmitir as informações aos jornais por telefone ".
Talese foi breve (depois de apenas sete artigos desportivos) dada a tarefa de cobrir não apenas os acontecimentos na escola, mas também dada a sua própria coluna para o semanário Ocean City Sentinel-Ledger . No momento em que ele deixou para a faculdade em setembro de 1949, Talese tinha escrito alguns contos e 311 colunas para o Sentinel-Ledger.
Talese credita sua mãe como modelo seguiu no desenvolvimento das técnicas de entrevista que serviria tão bem mais tarde na vida entrevistar assuntos variados como membros da máfia e americanos de classe média em seus hábitos sexuais. Ele relata na vida de um escritor:
"Eu aprendi [de minha mãe] ... a ouvir com paciência e cuidado, e nunca interromper, mesmo quando as pessoas estavam tendo grande dificuldade em explicar-se, pois, durante esse deter e momentos imprecisos ... as pessoas são muito reveladoras-o que hesite em falar sobre posso dizer muito sobre eles. Suas pausas, suas evasivas, suas mudanças bruscas de assunto são indicadores prováveis ​​que os envergonha, ou irrita-los, ou o que eles consideram como muito privada ou imprudente a ser divulgada a outra pessoa em naquele momento em particular. No entanto, tenho também ouviu muitas pessoas discutindo abertamente com a minha mãe o que tinha evitado-a mais cedo reação que eu acho que tinha menos a ver com a sua natureza inquirir ou sensibilidade posou perguntas do que com a aceitação gradual nela como uma confiável indivíduo em quem podia confiar. "

Talese foi aceito para a Universidade de Alabama , onde a sua seleção de uma grande era, como ele descreveu, uma escolha discutível. "Eu escolhi o jornalismo como minha grande faculdade, porque isso é o que eu sabia", lembra ele, "mas eu realmente tornou-se um estudante de história". Na universidade Gay Talese tornou-se um irmão de Phi Kappa Sigma
Foi aqui que ele iria começar a empregar recursos literários mais conhecidos na ficção, como o que institui a "cena", com detalhes minuciosos e começando artigos em medias res (latim para "no meio das coisas"). Em seu primeiro ano, ele tornou-se o editor de esportes do jornal do campus, Crimson-Branco, e começou uma coluna ele apelidou de "Sports Gay-zing", para a qual escreveu em 7 de Novembro, 1951):
Rítmica "Sessenta Minute Man" emanava juke box da Supe loja e Larry (O Maestro) Chiodetti bater contra a mesa como louco em manter o tempo com o ritmo agitado. T de camisa Bobby Marlow estava saindo o touro sessão de domingo de manhã e garboso Bill Kilroy tinha acabado de comprar os jornais da manhã.
Isso foi antes de Lillian Ross fez o mesmo na Imagem (1952) ou Truman Capote usou a técnica em As Musas são ouvidos (1956). Mais importante ainda, Talese incluído entre seus súditos tanto os "perdedores" e despercebidas. Ele estava mais interessado em quem não alcançar a glória de vencer e menos in-herói adorando os vencedores.

Após graduar-se em junho de 1953, ele se mudou para Nova York ainda só poderia encontrar trabalho como copyboy . O trabalho foi, no entanto, ao ilustre New York Times e ele apareceu para a sua posição mundana, no entanto, em handstitched ternos italianos. Ele acabou por ser capaz de obter um artigo publicado no Times, ainda que não assinado (sem crédito). Em "Times Square Anniversary" (02 de novembro de 1953), ele entrevistou o homem que foi responsável pela execução das manchetes que piscam em todo o famoso letreiro acima Times Square .
" Eu acho que a maioria dos jornalistas são muito preguiçoso, o número um. Um pouco de mão beijada informações preguiçoso e também eles são, como as armas de destruição em massa em 2003 .... você tem essas pessoas que criam um pacote de notícias, desenvolvê-lo como uma história, um cenário, e eles encontrar, como Mailer disse uma vez sobre a imprensa, que é como um burro. Você tem que alimentar o burro. O burro todos os dias tem que comer. [Interesses especiais] Então jogue informação a este animal maldito que come de tudo. Latas, lixo. "
Gay Talese-, [8]
Seguiu este com um artigo publicado no 21 de fevereiro de 1954 edição sobre as cadeiras usadas no calçadão de Atlantic City (algo com o qual ele estava familiarizado como sua cidade natal de Ocean City é o próximo povoado ao sul do jogo Meca ). No entanto, a sua carreira de jornalismo brotamento teria de ser colocada em espera - Talese foi convocado para o Exército dos Estados Unidos em 1954.
Enquanto na Universidade de Alabama, que tinha sido exigido (como foram todos os estudantes do sexo masculino, no momento, devido à Guerra da Coréia ) para se juntar aos Training Corps de Oficiais da Reserva (ROTC) e mudou-se para New York esperando sua eventual comissão como um segundo tenente . Ele foi enviado para Fort Knox , Kentucky, para treinar no corpo do tanque. Encontrar suas habilidades mecânicas falta, ele foi transferido para o Escritório de Informação Pública, onde mais uma vez trabalhou para um jornal local, dentro da torre , e logo teve sua própria coluna, "Fort Knox Confidencial".
Tendo mantido contato com seus ex-empregadores no Times, Talese quando completou a sua obrigação militar em 1956, ele retornou a Nova York como um pleno direito repórter esportivo. Mais tarde, ele opinou: "O esporte é sobre pessoas que perdem e perdem e perdem Eles perdem jogos,.. Então eles perdem seus empregos Pode ser muito intrigante." Dos vários campos, boxe realizada o mais apelo para Talese, em grande parte porque era sobre indivíduos envolvidos em competições e os indivíduos, em meados dos anos 1950 estavam se tornando predominantemente não-branca no prizefight nível. Ele escreveu 38 artigos sobre Floyd Patterson sozinho.
Para isso, ele foi recompensado com uma promoção para o Albany Bureau para cobrir política do estado. Foi um trabalho de curta duração, no entanto, como hábitos rigorosos de Talese e estilo meticuloso logo irritou seus novos editores a tal ponto que se lembravam dele para a cidade, atribuindo-o a escrever obituários menores. Ele diz, "Eu fui banido para a mesa obituário como punição -. Me quebrar Houve grandes obituários e obituários menores fui enviado para escrever obituários menores nem mesmo sete parágrafos longos.". Depois de um ano na seção de obituário Times, ele começou a escrever artigos para o Sunday Times, que foi executado como uma organização separada das vezes ao dia pelo editor Lester Markel.


Primeira peça de Talese na Esquire - uma série de cenas na cidade - apareceu em uma edição especial de New York em julho de 1960. [9] Quando os sindicatos jornal The Times atingiu o papel em dezembro de 1962, Talese tinha muito tempo para assistir os ensaios para uma produção pelo diretor Broadway Joshua Logan para um perfil Esquire. Como Carol Polsgrove aponta em sua história de Esquire nos anos sessenta, era o tipo de relato que ele gostava de fazer melhor: "apenas estar lá, observando, esperando o momento culminante quando a máscara cairia e verdadeiro caráter se revelaria. " [10]
Em 1964, Talese publicou The Bridge: A construção da ponte Verrazano-Narrows (1964), um estilo de repórter, não-ficção representação da construção da ponte Verrazano-Narrows , em Nova York. Em 1965, ele deixou o New York Times para escrever em tempo integral para editor Harold Hayes na Esquire. Seu artigo de 1966 Esquire sobre Frank Sinatra , " Frank Sinatra está resfriado ", é um dos artigos de revistas americanas mais influentes de todos os tempos, e um exemplo pioneiro de Novo Jornalismo e não-ficção criativa . Com o que alguns chamaram uma estrutura brilhante e ritmo, o artigo não focado apenas em si próprio Sinatra, mas também em busca de seu objeto de Talese. [ carece de fontes? ]
Talese da célebre Esquire peça sobre Joe DiMaggio , "The Season silenciosa de um Herói" - em parte uma meditação sobre a natureza transitória da fama - também apareceu em 1966. Quando uma série de peças Esquire foram coletados em um livro chamado Fama e anonimato , Talese fez uma homenagem em sua introdução a dois escritores que ele admirava, citando "uma aspiração de minha parte, de alguma forma trazer à reportagem o tom que Irwin Shaw e John O'Hara trouxe para o conto. "Honor Thy Father (1971) foi transformado em um longa-metragem. [ carece de fontes? ]
Em 2008, The Library of America selecionou 1.970 relato de Talese das Charles Manson assassinatos, "Casa de Charlie Manson on the Range", para inclusão em sua retrospectiva de americano True Crime de dois séculos.


Gay Talese apareceu em várias tiras dos quadrinhos Doonesbury , dando uma entrevista ao radialista Mark Slackmeyer para promover seu livro mulher do teu próximo . Trudeau representado dele vestindo um capacete para representar sua jornada em terreno perigoso jornalística.

PREMIAÇÕES

BIBLIOGRAFIA



domingo, 23 de março de 2014

PIERRE LEVY


PIERRE LEVY

Pierre Lévy nasceu na Tunísia, país do norte da África, em 2 de julho de 1956, no seio de uma família de judeus; nesta época sua terra natal era colônia da França. Não se sabe praticamente nada sobre sua existência até 1980, quando ele terminou seu Mestrado em História da Ciência, na Universidade de Sorbonne, em Paris, a não ser que se graduou em História. Sua vocação para a pesquisa lhe foi revelada durante um curso com o filósofo francês Michel Serres, na Sorbonne. Três anos após a conclusão de seu mestrado, Pierre defendeu sua tese em Sociologia e Ciências da Informação e da Comunicação, igualmente na capital francesa, discorrendo sobre a idéia da liberdade na Antiguidade.
As pesquisas de Lévy se concentraram especialmente na área da cibernética e da inteligência artificial. Nos anos 80 ele passou a lecionar na Universidade de Quebec, em Montreal, no Canadá. Suas aulas giravam em torno da função dos computadores no mecanismo da comunicação.
Nesta mesma instituição ele cuidou da gestão do departamento de comunicação do campus, de 1987 a 1989. Ao retornar à França, o filósofo da informação, que se especializou em investigar as relações entre a Internet e a esfera social, ocupou o cargo de professor de Ciências Educacionais na Universidade de Paris-Nanterre, aí permanecendo de 1990 a 1992.
Em seus estudos ele aborda o papel fundamental das tecnologias na esfera da comunicação e a performance dos sistemas de signos na evolução da cultura em geral. Simultaneamente ao seu trabalho na educação, ele institui em Genebra, na Suíça, um instituto conhecido como Laboratório Neurope, onde atua como pesquisador.
O estudioso lança, em 1987, seu primeiro livro, A Máquina Universo  - criação, cognição e cultura informática. Mas Pierre se torna particularmente famoso em todo o Planeta a partir de 1994, quando ele difunde sua tese sobre a ‘árvore de conhecimento’, um mecanismo que criou junto com Michel Authier. Este sistema é composto por um software de cartografia e pelo intercâmbio de conhecimentos entre comunidades, gerando uma ampla enciclopédia virtual em constante transformação.
Esta teoria é exposta na obra A Árvore do Conhecimento, lançada em 1992, fruto do trabalho dos dois pesquisadores. Anteriormente, porém, ele publicou seu livro mais popular no Brasil, As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática, de 1990. Uma boa parte de sua bibliografia já foi publicada no Brasil.
A partir de 1993, Pierre passa a atuar como professor no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-8, em St-Denis. De 2002 em diante ele assume como titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva, na Universidade de Ottawa, novamente no Canadá. O filósofo logo se torna integrante da Sociedade Real do Canadá (Academia Canadense de Ciências e Humanidades). Lévy já veio ao Brasil diversas vezes, proferindo palestras para uma média de 500 pessoas no Sesc Vila Mariana. Seus temas por excelência são a exclusão do universo digital, a Internet, as novas tecnologias da comunicação, o futuro da humanidade na esfera da contínua digitalização.

JEAN LUC EINAUDI

JEAN LUC EINAUDI
Jean-Luc Einaudi, nascido em setembro de 1951 em Paris , e morreu 22 de marco de 2014 é um historiador e ativista político francês . Membro de longa data do Partido Marxista-Leninista Comunista da França (PCMLF) , e editor do jornal L'Humanité vermelho , foi também educador Proteção Judicial da região de Paris.
Ele testemunhou, em 1997, perante o Tribunal de Bordeaux Assize, no massacre de argelinos 17 de outubro de 1961, durante o julgamento de Maurice Papon por seu trabalho 1942-1944.À procura de evidências forenses do massacre de argelinos 17 outubro de 1961, Jean-Luc Einaudi remoção 8 de fevereiro de 1998 na revista Archives of Paris um pedido de desistência de acessar os registros de informações parquet .


Em 20 de maio de 1998, Jean-Luc Einaudi escreveu no Le Monde : "Em outubro de 1961, foi um massacre em Paris pela polícia agindo sob as ordens de Maurice Papon . " Em julho de 1998, Papon queixa por difamação contra um funcionário público . "Para preparar a sua defesa, conta Jean-Luc Einaudi nos documentos oficiais que ele pediu acesso a três meses antes na revista Archives of Paris. O diretor dos Arquivos de Paris, na verdade enviou o seu pedido para o Ministério Público, juntamente com um aviso "sobre a oportunidade de reservar-lhe [...] um resultado positivo" (12 de Fevereiro). Ele estava buscando uma recusa ".
Incapaz de produzir prova escrita de responsabilidade do quartel da polícia, liderada por Maurice Papon em outubro de 1961, o historiador procura o testemunho de dois Arquivos conservadores de Paris, que aceitam e dão testemunho, um por escrito e outro no bar, 4, 5, 11 e 12 de Fevereiro de 1999. Maurice Papon, agora defendida pelo advogado Jean-Marc Varaut e como testemunhas em seu favor, entre outras ex-primeiro-ministro Pierre Messmer , enquanto Jean-Luc Einaudi trouxe para a barra de testemunhas diretas dos acontecimentos de 1961 . Em 26 de março de 1999, Maurice Papon é rejeitado a sua queixa e historiador relaxada em favor da boa-fé.

Dois arquivistas punidos por testemunhar

Ambos os arquivistas que testemunharam e explicou a situação:
"Série Autoridades de registros do tribunal no Arquivo de Paris para 25 anos, nós temos acesso aos documentos Jean-Luc Einaudi necessita para assegurar a sua defesa contra Maurice Papon, mas não podemos enviá-lo como não obteve a isenção necessária. A única solução para combinar o respeito a ética da nossa profissão e nossa consciência de cidadão é aceitar ser chamado como testemunhas.
Nós não poderíamos ignorar a existência dos documentos que nós fornecemos o pagamento, arquivamento e armazenamento, sabendo que, confrontado com o argumento de Maurice Papon, estes documentos trouxe uma clara evidência do massacre feito em Paris pela polícia 17 de outubro de 1961 e os seguintes dias e semanas. Nós tínhamos sido falta em silêncio sob o código internacional de arquivos de conduta. Sempre acreditamos que a nossa missão de curadores foi tanto técnica e política. "
Os dois funcionários foram punidos por seu testemunho por prateleiras completo, vendo através da remoção de memorandos diretor dos Arquivos de atividades de Paris e equipamentos de escritório, proibição de qualquer contacto com o público, etc. .


Teses e desenvolvidos por Jean-Luc Einaudi sobre os acontecimentos de outubro 1961 números foram severamente criticado pelo historiador Jean-Paul Brunet . Einaudi lista 393 vítimas argelinos que se relaciona com a manifestação de 17 de Outubro 1961 (a polícia tem feito esta noite mais de 200 mortos) e ele atribui a morte de forma unilateral a polícia.
Depois de 17 de outubro de 1961, o Departamento de Polícia comunica um saldo no valor de duas mortes entre os manifestantes . Na verdade, os arquivos do Instituto Médico Legal de Paris não gravar qualquer corpo de entrada para o Norte Africano 17 outubro . Em janeiro de 1998, a missão Mandelkern , entretanto, encontrado nos arquivos do escritório do prefeito uma lista de final de outubro a contar sete mortes ocorreram no âmbito da jurisdição da Delegacia de Polícia .
Em 2006, os historiadores britânicos, Casa e MacMaster, especificar que na lista Einaudi de 246 vítimas para quem é conhecida a data da morte, 141 mortes foram registradas antes de 17 de outubro. Na lista de Jean-Luc Einaudi vários corpo não identificado de argelinos morreram como resultado de um suicídio ou um acidente, pelo menos oito vítimas mencionado duas vezes, Jean-Paul Brunet também descobre um harki. Jean-Paul Brunet observa que na lista de 393 vítimas de Jean-Luc Einaudi, apenas 57 morreu em 17 e 18 de Outubro, "A punição é, portanto, responsável por apenas uma minoria de argelinos mortos".
Em geral, Jean-Paul Brunet denuncia a exploração deste caso uma "forjada para as necessidades de uma muito incerto porque ativista mito", como a atribuição de "sistematicamente a polícia francesa todas as mortes de norte-africanos [ ...] ficamos atordoados, mas nós entendemos por que a verdade histórica não é a principal preocupação de Jean-Luc Einaudi. " Jean-Paul Brunet recorda o compromisso de Jean-Luc Einaudi ao Partido Marxista-Leninista Comunista da França (PCMLF) 1967-1982, seu papel como editor do L'Humanité que o vermelho ", cantou os louvores do Khmer Rouge e bom presidente chinês Mao, da Coréia do Norte Kim Il-sung e albanês Enver Hodja ", relata também a sua atitude denialist de crimes contra a humanidade cometidos por Pol Pot e Mao Tse-tung . E conclui que "é uma fração importante da sociedade francesa hoje é deixado abuso" por sua falta de profissionalismo , .
Paul Thibaud acredita que "Einaudi empilhados pedaços de uma acusação Brunet ao tentar escrever uma história" , de modo que "survey muitos resumos qu'Einaudi nos dá não sei quem matou " , mas, depois de uma "escolha e política global" , Einaudi coloca morte em nome da polícia para inocentar o FLN seus "objetivos totalitários".


  • 1986 Por exemplo, o caso Fernand Iveton , L'Harmattan, ( ISBN 2858027218 )
  • 1991 Farm Ameziane: Levantamento de um centro de tortura durante a guerra da Argélia, L'Harmattan, ( ISBN 273840944X )
  • 1991: A Batalha de Paris - 17 de outubro de 1961 (a reedição de bolso em 2001, posfácio inédito do autor), Le Seuil, ( ISBN 2020510618 )
  • 1994: Um Sonho Argélia - História da Lisette Vincent, uma mulher da Argélia, Dagorno, republicado pelo PUF (2001) ( ISBN 2130521541 )
  • 1995: Menores infratores, Fayard
  • 1999: Um argelino, Maurice Laban , Le Cherche Midi
  • 2001: Vietnam! A Guerra da Indochina , 1945-1954, Le Cherche Midi
  • 2001: Silêncios da polícia, com Maurice Rajsfus na Vel d'Hiv eo massacre de 17 de outubro de 1961, Poltergeist, ( ISBN 2-84405-173-1 )
  • 2004 Maverick, Georges Mattei da Argélia guerrilha guerra Sextante Editora, coll. Perigo público (. ISBN 978-2849780060 )
  • 2006 Traços, reformatório adolescente sob a Ocupação, Sextante Editora ( ISBN 978-2849780114 )
  • 2009: Cenas da guerra da Argélia na França: Outono 1961 Le Cherche Midi, coll. Documentos. ( ISBN 978-2-7491-1521-4 )